
História
Pré-História
Quando a Fórmula 1TM ainda não existia
Dizem que o automobilismo nasceu quando os primeiros carros fabricados na história pararam lado a lado e seus donos se entreolharam. De fato, a competição é algo inerente ao ser humano, e não é de se estranhar que o desejo de correr fosse tão ou mais forte que o de locomover-se de um lado ao outro.
Lendas à parte, os primeiros registros de corridas motorizadas datam do fim do século XIX, pouco depois da criação do automóvel. O conceito de um circuito fechado demorou a aparecer.
As provas iniciais eram disputadas entre cidades, em longos trechos de estrada que muitas vezes não eram sequer pavimentados. Algumas corridas, inclusive, tinham como pretexto testar a resistência dos carros concebidos naquele tempo.
Com a evolução dos automóveis, as corridas passaram a acontecer com mais frequência. Após a Primeira Guerra Mundial, alguns países da Europa fizeram das pistas uma vitrine, onde pretendiam mostrar sua força através das máquinas e dos pilotos. O período, que teve seu auge nos anos trinta, ficou conhecido como a era dos Grand Prix. Eram provas isoladas em diversas partes do mundo, geralmente organizadas por milionários ou por governos locais, que mais tarde teriam o nome aproveitado para batizar as corridas de Fórmula 1TM. Na época, não havia um calendário ou uma contagem de pontos que somasse os resultados de todas elas, coroando um campeão a cada temporada. O que havia em comum entre a maior parte destas provas era a participação predominante de marcas francesas, alemãs e italianas, como Auto Union, Mercedes-Benz, Talbot, Bugatti e Alfa Romeo.
Entre os grandes pilotos deste tempo, há alguns nomes que entraram para a história. O mais famoso é o do italiano Tazio Nuvolari, mas também ficaram marcados para sempre talentos como os de Bernd Rosenmeyer, Hans Stuck, Rudolf Caracciola , Antonio Ascari, Achille Varzi, entre outros. Muitos tiveram suas carreiras abreviadas em acidentes fatais, enquanto os que sobreviveram tiveram a infelicidade de ver seus melhores anos minados pela Segunda Guerra. Quando a paz se estabeleceu, alguns pilotos desta geração ainda se aventuraram em algumas corridas do recém-criado campeonato mundial, mas nem todos obtiveram sucesso.
Curiosidades
Apesar das precárias condições de segurança, os carros da década de trinta já atingiam níveis assustadores de velocidade. Tanto que, nessa época, houve uma competição informal entre as marcas alemãs Mercedes-Benz e Auto Union para saber quem ultrapassaria primeiro a barreira dos 400 km/h.
O recorde do pré-Guerra foi conquistado pelo germânico descendente de italianos Rudolf Caracciola. Às vésperas de completar 37 anos, ele atingiu 428 km/h a bordo de um carro da Auto Union, embora tivesse competido com as máquinas da Mercedes por um longo tempo. Naquele dia, os ventos estavam fortes, e seu compatriota Bernd Rosenmeyer decidiu bater o recorde logo na sequência. Porém, após o nono quilômetro, uma rajada lateral fez o carro capotar várias vezes, matando o piloto instantaneamente. Rosenmeyer tinha apenas 28 anos.
Uma corrida inesquecível
GP da Alemanhã de 1935
A necessidade de Adolf Hitler em provar a superioridade alemã chegou a diversos setores, inclusive ao automobilismo. O chefe nazista promoveu, em 1935, uma prova na capital Berlim, diante de 300 mil espectadores, com o intuito de massificar suas ideias a respeito de uma raça ariana. A Mercedes-Benz entrou na pista de Avus com um verdadeiro esquadrão: Rudi Caracciola, Manfred von Brauchitsch, Luigi Fagioli, Andreas Geier e Hermann Lang. Pela Auto Union, alinhavam Achille Varzi, Bernd Rosemeyer, Hans Stuck e Paul Pietsch. Havia alguns carros italianos, como Bugatti, Maserati e Alfa Romeo. Esta última, com uma equipe chefiada por um certo Enzo Ferrari, e tendo ao volante Tazio Nuvolari, Louis Chiron e René Dreyfus. Além de inferiores tecnicamente, os carros italianos sofreram com quebras, deixando Nuvolari sozinho contra os alemães. Após perder posições na pista e sofrer com um pit stop de mais de dois minutos, Tazio demonstrou toda sua genialidade com uma pilotagem agressiva e ao mesmo tempo inteligente.
Mesmo ganhando posições, ele seguia poupando o equipamento. Tazio escalou o pelotão e chegou ao segundo lugar, e continuava a descontar a enorme diferença quando um dos pneus traseiros do líder von Brauchitsch estourou na última volta. O silêncio tomou conta do autódromo, calando uma multidão absolutamente incrédula.