
História
Anos 2000
Corrida tecnológica
A nova década trouxe a marca mais valiosa da Fórmula 1TM de volta ao topo. Depois de quatro anos de tentativas fracassadas, Michael Schumacher conquistou a bordo de uma Ferrari o sonhado título de pilotos, feito que a escuderia alcançara pela última vez em 1979. O que o resto do mundo não imaginava é que, em 2000, a chamada “era Schumacher” estava apenas começando.
Até 2004, com carros muito competitivos ou assustadoramente superiores aos dos rivais, o alemão detonou praticamente todos os recordes da categoria, sempre ajudado pelo fiel escudeiro, o companheiro de equipe Rubens Barrichello. Aos rivais, restaram vitórias esporádicas e muitas reclamações a respeito do modus operandi da equipe italiana, que, entre outras coisas, nunca deixou o brasileiro mostrar todo o seu potencial.
A primeira tentativa de frear o domínio do alemão aconteceu em 2003, quando as regras dos treinos classificatórios sofreram alterações – que continuariam acontecendo ano a ano, até 2006 – e a pontuação foi reformulada, contemplando não mais os seis, mas os oito primeiros colocados. Na prática, o cenário só mudaria mesmo em 2005, quando um espanhol chamado Fernando Alonso tornou-se o mais jovem campeão de todos os tempos.
Nesta época, a Fórmula 1TM começava a extrapolar os limites da aerodinâmica, criando asas e penduricalhos que chegaram a tal ponto que acabaram proibidos a partir de 2009. Felipe Massa substituiu Barrichello na Ferrari em 2006, ano do bicampeonato de Alonso com a Renault. Aquela temporada, na qual Schumacher abandonou as pistas (embora retornasse em 2010), marcou mais uma despedida: a publicidade tabagista, que por tantos anos sustentou a categoria, saiu de cena. Primeiramente na Europa, depois em todos os países que faziam parte do calendário.
Entre 2007 e 2010, a Fórmula 1TM vivenciou algumas renovações e estreias, mas também viu a reedição de velhos conceitos. A categoria recebeu o primeiro piloto negro, Lewis Hamilton, que se tornou o melhor estreante de todos os tempos e foi campeão logo na segunda temporada; realizou a primeira corrida noturna, em Cingapura, coincidentemente o GP de número 800; além disso, proibiu o controle de tração pela segunda vez e providenciou a volta dos pneus slick, acompanhados de uma série de restrições no desenho dos carros. Outra novidade foi o KERS, um sistema de reaproveitamento da energia gerada nas frenagens, revertido na forma de potência extra nos motores. Nas últimas temporadas da década, com a proibição dos testes, veio outra revolução. A saída das montadoras e a abertura vagas para times independentes, mais comprometidos com as corridas do que com os negócios.
Curiosidades
Os anos 2000 registraram recordes de juventude na categoria. Em 2003, o terceiro lugar no GP da Malásia fez Fernando Alonso se tornar o mais jovem piloto a subir no pódio da F-1TM. Ainda nesse ano, na Hungria, uma bela exibição fez com que ele se tornasse o vencedor mais precoce. Mas após ser coroado em 2005 como o mais jovem campeão de todos os tempos, quebrando um recorde de Fittipaldi que perdurava 33 anos, Alonso viu que a categoria estava mesmo mudada, e ele era o maior exemplo desta reviravolta.
Com meninos de pouco mais de vinte anos no grid, seus recordes foram batidos pouco tempo depois. Primeiro por Lewis Hamilton e depois por Sebastian Vettel, que se tornaram, um após o outro, os mais jovens pilotos a fazer uma pole-position, vencer um GP e se tornarem campeões mundiais.
Uma corrida inesquecível
GP do Brasil de 2008
Com uma pole incontestável, Felipe Massa renovou a esperança da torcida brasileira. Mas cada pessoa presente a Interlagos sabia que a tarefa do ferrarista era muito difícil. O inglês Lewis Hamilton, da McLaren, precisava de um mero quinto lugar para comemorar o título da temporada, e seu retrospecto era dos mais favoráveis. A instantes da largada, um toró considerável desabou sobre o autódromo, adiando o início da prova em 10 minutos. Com a pista ainda molhada, Massa manteve a ponta e só perdeu a liderança momentaneamente, quando parou para colocar pneus de pista seca. Hamilton, tenso, fazia uma corrida defensiva, alternando-se entre o quarto e o quinto lugares. A cinco voltas do final, voltou a chover, o que levou quase todos os carros a um pit stop para calçar novos pneus. Os únicos que ficaram na pista foram Jarno Trulli e Timo Glock, a dupla da Toyota. A pouco mais de duas voltas da bandeirada, Sebastian Vettel mostrou habilidade no molhado e ultrapassou Hamilton, deixando o britânico em sexto e o título nas mãos de Massa. A chuva desabou para valer na última volta, e a torcida foi à loucura quando Felipe venceu a corrida. Mas Hamilton e Vettel, alguns segundos atrás, ainda cumpriam o último trecho do miolo do circuito. Até que, na última curva da última corrida do ano, os dois encontraram Glock se arrastando no asfalto encharcado e ultrapassaram o alemão com facilidade. Isso mudou o resultado do campeonato praticamente nos acréscimos, fazendo Hamilton celebrar seu primeiro título ao cruzar a linha de chegada. Contudo, enquanto a chuva se misturava ao choro no alto do pódio, Felipe Massa ganhava definitivamente o status de ídolo nacional.